OI APRESENTA
exercício nº 2: FORMAS BREVES

novo espetáculo de Bia Lessa e Maria Borba
estreia dia 10 de julho no Teatro Tom Jobim

Experiências de um cotidiano contadas através de diferentes personagens e situações extraídas de trechos de diversos livros ( obras de Dostoievski, Tchecov, Thomas Bernhardt, Kafka, Sergio Sant’anna, Andre’ Sant’anna, Anaïs Nin, Pedro Almodóvar, Walt Whitman, Antonin Artaud, Elias Canetti, Bertold Brecht)

– Há 5 anos Bia Lessa não dirige uma peça de teatro.

– São usados no espetáculo: 2.000 m de barbante, 2.600 roupas, 500 livros.

– Luz de Pedro Farkas : fotógrafo dos filmes Desafinados, A ostra e o Vento, Marvada Carne, Cinema Falado etc.

– Bia Lessa e Maria Borba pela primeira vez dividem um espetáculo. Bia Lessa faz a direção e Maria Borba a dramaturgia.

– Bia Lessa retoma seus Ensaios e Exercícios, apresentando Exercicio nº 2: FORMAS BREVES

– Maria Borba, mestra em Cosmologia assina a dramaturgia do espetáculo.

– Trilha sonora: criada a partir de fragmentos musicais e ruídos.

– 21 atores e não atores constituem o elenco da peça.

– Pela primeira vez Camila Toledo trabalha com Bia Lessa e Maria Borba na concepção de um espaço cênico.

Bia Lessa, com a parceria de Maria Borba, retoma um caminho iniciado com os espetáculos Ensaios nº 1, e 2 e Exercício nº 1. (realizados nas décadas de 80/90)
Em Exercício nº 1, Bia trabalhou com o universo de Dostoievski, abrindo mão de seus personagens. Agora, em Exercício nº 2: Formas Breves, o trabalho se deu a partir de fragmentos de livros de diferentes modalidades para se chegar a um trabalho onde a breviedade e os fragmentos fossem apresentados com o propósito de dialogar entre si e com o universo contemporâneo. Mais uma vez o elenco não é constituído de atores profissionais, mas de indivíduos de diferentes origens e profissões. O espetáculo Exercício nº 2: Formas Breves tem patrocínio da Oi, com apoio cultural do Oi Futuro.

Se Bia Lessa tem estabelecido em seus trabalhos uma linguagem cênica que dialoga com outras formas artísticas, como fez em Casa de Boneca – onde a linguagem do vídeo era dominante frente a presença física do teatro -, como fez em suas recentes exposições, como em Grande Sertão Veredas, em que o espectador dialogava com o romance através de uma interação direta com a obra, ou ainda sua exposição Itaú Contemporâneo, onde expôs a obra de artistas contemporâneos horizontalmente – criando para o espectador um novo olhar sobre a obra; não seria diferente com este espetáculo. As diferentes linguagens artísticas estabelecem um diálogo em seus trabalhos.

Da mesma forma, já é tradição nos trabalhos de Bia, o convite à profissionais de outras áreas para participarem de sua equipe. O arquiteto e urbanista Paulo Mendes da Rocha fez o cenário da Opera Suor Angelica de Puccini, do Homem sem Qualidades de Robert Musil etc. O físico Luis Alberto Oliveira participou de muitos de seus espetáculos como consultor, a estilista Silvie Leblanc fez alguns de seus figurinos entre outros. Dessa vez convidou o fotógrafo de cinema Pedro Farkas para assinar a luz do espetáculo e a arquiteta Camila Toledo para pensar o espaço cênico. O artista plástico Fernando Zarif também participa do trabalho, expondo alguns de seus Cadernos, que fazem parte se sua última exposição realizada durante o INVENTÁRIO DO TEMPO, com a participação do artista José Resende.

O processo do trabalho foi dividido com o público através do INVENTÁRIO DO TEMPO, que se deu durante o mês que precede a estréia do espetáculo. Encontros com profissionais de diferentes áreas, que seriam realizados internamente com a equipe do espetáculo, se transformaram em encontros públicos: Mário Novello cosmólogo; Flora Süssekind, crítica literária, ensaísta e pesquisadora; Luis Alberto Oliveira, físico; Eduardo Coutinho, cineasta; Jose Carlos Avellar, crítico de cinema; Paulo Sergio Duarte, crítico de arte; Pedro Duarte de Andrade, filósofo; Roberta Sudbrack chef de cozinha; Fernando Zarif e José Resende, artistas plásticos; Os Ritmistas, Léo Tomassini e Rubinho Jacobina, músicos que fazem parte da trilha musical do espetáculo criada por Dany Roland. Neste programa, a discussão do fazer do próprio espetáculo foi discutida amplamente através dos diferentes saberes, e a através do trabalho teatral realizado no workshop também dentro do INVENTÁRIO DO TEMPO.

O exercício de concepção do espetáculo passava pelo raciocínio da necessidade. Só estaria presente o que fosse absolutamente necessário. Nesse sentido a pergunta era feita dessa forma: Necessitamos de cenário? É fundamental o figurino? E assim por diante.

Cenário – Optamos por um não cenário, optamos por uma geografia. Tomamos 2/3 do espaço do teatro Tom Jobim de forma que o espectador ficasse retido numa única arquibancada solta num espaço vazio. Um grande vazio, negro abandonado pelos atores e pelo espetáculo. As interferências cênicas acontecem num espaço limitado, em uma pequena nesga onde a luz se faz presente. Só conhecemos o que vemos, o vazio nulo é uma vastidão de possibilidades intocadas, como nosso extenso universo, como o extenso espaço infinito de uma biblioteca, ou do espaço ilimitado da compreensão de um fragmento. De nós mesmos conhecemos pouco, do nosso mundo conhecemos a superfície, do universo um pontinho numa poeira. Um vazio cheio de possibilidades.

Figurino – Do figurino não sentimos necessidade. Como fazer um não figurino? Uniformizar as pessoas seria negar suas indvidualidades o que estaria indo contra nossos princípios. Caracterizá-los um a um não nos parecia apropriado, seria, dentro desse espetáculo, um apêndice. A decisão do figurino se deu com a criação do espaço. Se optamos por um grande vazio negro, e esse vazio negro é a substância onde os acontecimentos podem surgir, os atores deveriam estar vestidos também de negro. Tudo que há é feito da mesma substância. Então todos vestindo o negro – a ausência de todas as cores, não estariam vestindo um uniforme, mas estariam vestindo uma potência: um universo de possibilidades. Como nos indivíduos com possibilidades de transformação e criação constante. De preto cada um é um e também todos são um.

Iluminação – A luz dentro do espetáculo será um personagem. Interfirirá drastricamente nas cenas de forma a escolher o que quer ou não revelar. Pedro Farkas escolheu trabalhar com equipamento de cinema para desenvolver esse trabalho.

Música – Também composta por ruidos e fragmentos. Assim como os fragmentos literários, aqui temos fragmentos sonoros que ampliam ainda mais o diálogo entre as partes.

Teatro Tom Jobim – O mais novo teatro do Rio de Janeiro, além de trazer de volta o caráter de um teatro de arte – onde o espaço é fielmente doado à cada espetáculo – foi projetado de formal tal que uma pesquisa real possa ser realizada. Seu palco e plateia são completamente móveis de forma que o espaço pode ser qualquer um. Cada espetáculo tem ali, a liberdade e a possibilidade de se descobrir no interior deste teatro. Neste sentido, não haveria espaço melhor para a construção deste espetáculo, já que o interesse estava em poder descobrir e observar as reais necessidades – materiais e espaciais – do que estava sendo construído.

O processo da criação do texto e do espetáculo –
Os ensaios começaram assim: sem um texto e, ao mesmo tempo, com muitos. Sem uma concepção prévia fechada, mas certas do que as interessava: a necessidade de investigar o homem contemporâneo em sua individualidade e construir algo a partir de fragmentos de fontes literárias muito diversificadas, que em algum ponto poderiam se unir (ou não). Com esse objetivo em comum, algumas pessoas (entre atores, não atores, diretora, dramaturga e músico) se juntaram e começaram a trilhar essa viagem.

Foram dois pontos de pesquisa: a observação do homem em seu cotidiano e a observação da obra literária criada pelos homens. Partiu-se, então, para os livros. O estímulo inspirador poderia vir de uma palavra, de uma frase solta ou de um capítulo.

Em particular, o próprio nome do espetáculo vem do título de um livro: Formas Breves, de Ricardo Piglia. Apesar de não estar literalmente representado na peça, sua empreitada foi encorajadora e inspirou do ponto de vista da forma e do conteúdo. É um livro que se propõe exatamente juntar formas literárias, em princípio desconexas, e traçar uma linha a partir delas. Contos, ensaios, relatos que de alguma forma se uniam numa linha ainda desconhecida na visão do autor. Ele diz: “Na experiência renovada dessa revelação que é a forma, a literatura tem, como sempre, muito que nos ensinar sobre a vida. (…) Pequenos experimentos narrativos e relatos pessoais me serviram como modelos microscópicos de um mundo possível, ou como fragmentos do mapa de um território desconhecido.”

Assim, nas obras de diferentes escritores (romancistas, filósofos, cientistas, poetas, dramaturgos, cineastas) e diretores, reconhecemos os fragmentos que viriam compor o nosso mapa – mapa de um território ainda desconhecido, que se constituiu na própria relação entre nós e as obras e, ainda, na relação entre os fragmentos eles mesmos, gerada nesse encontro. Realmente, a literatura tem muito que nos ensinar sobre a vida.

Em paralelo à procura do texto, havia a idéia impregnante (e sem volta) de se construir um espetáculo observando cuidadosamente quais pontos se fariam necessários para a construção de uma estética. Figurinos? Música? Iluminação? Cenário? O que de fato é necessário para que o que se quer dizer (e representar) esteja ali? Quanto precisa ser dito? O que fala mais do indivíduo contemporâneo, usar as mesmas roupas, ou diferenciar a aparência de cada pessoa ao extremo? Uma vez que o que é dito são pedaços do que já foi escrito pelo homem, como lidar com o lugar em que se dá a ação? Como iluminar ou escurecer as formas propostas?

A construção
Passando do pensamento à ação, Bia Lessa propôs aos integrantes do grupo (que começaram a se reunir desde janeiro deste ano) uma passagem pelas sete fases de seu método. Uma metodologia sem a fixidez que poderia engessar o processo criativo, metodologia porosa – por assim dizer –, permeável às necessidades de cada um no encontro com o que seria dito. Foram utilizados, especialmente, contos e poemas nas primeiras fases. Às vezes, apenas trechos já eram suficientes. O material podia ser proposto por Bia e Maria, ou podia ser de livre escolha para ser intérpretes, de acordo com o momento do processo.

Os comandos partiam de uma abordagem horizontal, mais livre, para a verticalização cada vez maior dos estudos. Por exemplo, um ator deveria propor três situações diferentes em que determinado texto poderia ser dito, deixando toda a sorte de sentimentos virem à tona. A partir daí, escolhia-se uma situação a se investir e partia-se para a próxima fase: apresentar a mesma situação com três questões distintas por de trás, que iriam determinar, por sua vez, a variação de emoções dentro de uma “mesma cena”. Uma fase seguinte seria a de, dentro mesmo de cada uma dessas três “histórias ocultas”, criadas por cada intérprete, acrescentar duas, três, quatro manias, contradições, estímulos externos ou internos aos “personagens” – uma dor de barriga súbita, uma mania de roer unha, uma coceira incontrolável gerada pelo ambiente ou por uma reação nervosa, um sentimento contraditório. E assim por diante seriam compostas as muitas camadas do que Bia passou a chamar de “nossas cebolas”.

Mas o que pode servir para um não necessariamente é bom para outro. Assim, enquanto um ator recebe o comando de grifar as palavras que irá enfatizar no texto que está trabalhando, de decupar meticulosamente cada emoção por que irá passar na cena, outro ator poderia ter a instrução de não olhar o texto mais de uma vez, permanecendo com o registro daquela primeira leitura.

Reviver a riqueza e a intensidade da primeira leitura, aquela que parece conter tudo – essa talvez seja uma das tarefas mais árduas no exercício de construção do espetáculo. Junto à necessidade de colocar em cena determinado texto, com certas questões acerca de seu conteúdo e tais emoções pelas quais deveria passar o “personagem”, este era o desafio de construir uma “pessoa” que pudesse existir a despeito da cena em que se encontra no espetáculo. Que essas pessoas pudessem estar, não apenas na fábrica como operárias ou na UTI como enfermeiras, mas num bar, num casamento ou na praia. Sem, entretanto, perder de vista que aquela ação colocada em cena na peça não é apenas uma coisa que a “pessoa-personagem” pode ou não fazer, mas ela é o que é na realização daquele ato, no momento eleito para figurar na partitura cênica .

Ficha Técnica
Direção: Bia Lessa
Dramaturgia: Maria Borba
Iluminação: Pedro Farkas
Música: Dany Roland
Cenografia: Camila Toledo e Bia Lessa
Elenco: Ana Paula Lima, Anne Reis, Bruno Balthazar, Bruno Siniscalchi, Danilo Watanabe, Denise Dietrich, Fernando Azambuja, Isabel Lessa, Jessica Lagrota, José Cardozo, Karine Teles, Larissa Duarte, Leonardo Viegas, Marcela Oliveira, Márcia Otto, Maria Elisa Riqueza, Mariana Rosa, Maurício Lima, Mayara Máximo, Sofia Karam e Thaynã Lyasak.
Direção de Produção: Lucas Arruda e dois + dois comunicações ltda
Produção: Equipe Formas Breves
Programação visual: Anne Reis e José Cardozo
Fotografia: Marcia Otto e Lilian Hargreaves
Registro em video: Elenco Formas Breves
Making of: Sofia Karam

http://www.inventariodotempo.com.br
http:/formasbrevesdotempo.wordpress.com
Twitter.com/brevesdotempo
http://www.myspace.com/formasbreves

Mais informações

Serviço

▪ Formas Breves. Direção: Bia Lessa. Dramaturgia: Maria Borba. Peça em um ato a partir de fragmentos de livros.

Local: teatro do Espaço Tom Jobim – Rua Jardim Botânico, nº 1008, Jardim Botânico – Rio de Janeiro. Telefone: (21) 2274-7012.
Temporada: de 10 de julho a 23 de agosto

De sexta a domingo, 20h30.
Preço: R$ 40 (estudante e idoso R$ 20)
Classificação etária indicativa: 14 anos
Duração: 1h40
Capacidade: 280 lugares
Horário de funcionamento da bilheteria: quarta e quinta, das 15h às 18h e sexta a domingo, das 15h às 20:30

Estacionamento: vagas limitadas
Curta Temporada: de 10 de julho a 23 de agosto de 2009

*** ***

Anúncios

0 Responses to “tudo (ou quase tudo) sobre a peça. clique aqui:”



  1. Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




twitter.com/brevesdotempo


%d blogueiros gostam disto: