breves de uma arquiteta:


“fiquei muito impressionada e feliz com o que vi. Vi um equilibrio entre texto e visualidade que eu não esperava.

roupavoa


Os textos eu já conhecia e sabia que eram maravilhosos mas precisava acontecer alguma coisa que justificasse eles serem tirados do livro para o teatro (o que sei que normalmente é feito pela interpretação dos atores e eu sabia que o trabalho não priorizava os atores). Era isso que estranhava talvez nos ensaios, sem saber, e que ficou claro na estreia. Finalmente eu estava entendendo o óbvio: se os atores não eram só atores, se o texto era fragmentado, não linear, e ainda incerto, se a física ficava ali rondando de forma estranha como disciplina de apoio, se a experiência era empírica, isso era processo. E foi o que eu vi.

Alguma coisa que não é espetáculo, não é teatro, não é arte, não é livro não é ciência e que fluiu despretensiosa e sensorialmente na minha frente. Foi assim que me senti.

Entre várias classificações ou categorias de coisas que me deixaram confortavelmente usufruir aquilo que ficava pendurado entre várias formas de classificação: é livro, é instalação, é forma, é conteúdo , é visual, é teatro, espetáculo, é o que eu quiser. É nada.

mabarbante

O nada como ficou táo bem colocado no espaço vazio e profundo do espaço cênico infinito. Escuro e tão bem iluminado. A luz estava excelente. Um fio condutor. Vimos noites, dias, lugares, dentros e foras através da luz.

Os textos flutuavam sobre o cenário do nada, e também nos espaços e nas bocas dos atores fluidos. Voltavam aos livros de vez em quando para lembrar que eram textos. Nós, plateia (ou observador) passamos por lugares, pessoas e acontecimentos, conduzidos por um cenário fluido que se construía e desconstruía oniricamente. Vivi silêncios maravilhosos e sons também maravilhosos.

Enfim, a experiência foi muito positiva. Pensei no suicídio, pensei na loucura, em comer cocô, dancei nas minhas memórias, pensei no meu trabalho, na minha infância. . Aprendi que para fazer um trabalho e colocá-lo no mundo eu deveria pensar se estava realmente oferecendo alguma coisa que justificasse ser vista. Sempre pensei se o observador sairia transformado. Eu garanto que saí.

brunolivros

Poderia falar sobre muitas coisas mas na verdade o mais importante para mim é agradecer a oportunidade de ter assistido a etapas da criação deste trabalho. Foi muito bom estar com alguém que faz o que não sabe seguindo seu olfato e andando sempre no limite entre o chão e o abismo, na certeza que lá na frente o resultado será mera consequência desta coragem. Assim foi ver a maneira de criar da Bia. Corajosa, séria, responsável, disciplinada, dedicada e ousada. Cheia de vontade. Trabalhando com gente jovem e emprestando a eles sua experiência. Conduzindo o grupo para o que nem ela sabe. Gostaria que vocês soubessem que foi muito importante para mim. Por último queria dizer que sempre vemos erros, falhas, coisas que poderiam melhorar e que o mais importante disso é que a vida continua aí e os erros serão o estofo para os próximos trabalhos.”

Bjs
Bia Petrus (arquiteta/artista plástica)

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