formas breves na FOLHA DE SÃO PAULO

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por AUDREY FURLANETO da Folha de S.Paulo, no Rio

Isto não é um espetáculo de teatro. Os atores, o cenário e o palco também não são. É quase tudo “não”. Nem a intenção de Bia Lessa, 51, era a de fazer um espetáculo, mas sua “não peça” “Formas Breves” estreia nesta sexta-feira (10) no teatro Tom Jobim, dentro do Jardim Botânico, no Rio.

Distante dos palcos há cinco anos, a diretora e cenógrafa dedicou os últimos meses a um grupo de estudos, com 21 alunos, sobre o homem e suas aflições. “Não tinha texto para trabalhar, não tinha nada”, conta. Como exercício, os alunos –há atores, estudantes, uma advogada, uma psicóloga, entre outros, que são agora o “não elenco”– levavam livros e discutiam trechos que, meses depois, formaram o “não texto”.

Fragmentos de obras de James Joyce, Dostoiévski, Robert Musil, Sérgio e André Sant’Anna, entre outros, inspiram a peça, que também agregou frases de bulas de remédio e nomes da lista telefônica. Conectar os pedaços é ideia de Maria Borba, 30, física, dramaturga do espetáculo e filha de Bia.

“Sempre li textos muito desconexos e achava que daria para juntá-los de algum jeito.” Já Bia sofria do que, diz, é uma das causas de sua pausa no teatro. “Sempre tive necessidade de ter um texto. Faço pouco teatro porque dificilmente encontro alguma coisa que me faça dizer: “Caramba, é isso o que eu quero falar!'”, diz. “Para mim, teatro tem que ser assim. Não dou conta de montar um bom Shakespeare. É genial, mas não tenho esse desprendimento. Preciso estar muito conectada.”

Definido o texto, o debate se voltou para cenário e figurino. “A gente se perguntou o que era necessário. Precisa de figurino? Cenário precisa? O que precisa para dizer o que a gente quer dizer?”, conta Bia.

Autora de cenografias –como a da mostra sobre Guimarães Rosa no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo–, ela cortou de 600 para 300 os lugares da plateia do teatro. O palco ficou maior, e é lá que roupas serão suspensas por cabides e cabos ao longo do espetáculo. O “não figurino” irá de peças pretas à nudez dos atores. “Não sou interessada em cenário. Me interesso por espaço. Cenário sempre fica uma decoração. Eu penso: “Que geografia vamos criar para as pessoas entrarem nesse universo?'”

EXERCÍCIO N.2: FORMAS BREVES
Quando: estreia hoje, às 20h; de sex. a dom., às 20h30, até 23/ 8
Onde: Espaço Tom Jobim Cultura Meio-Ambiente (r. Jardim Botânico, 1.008, Rio de Janeiro; tel. 0/xx/21/2274-7012)
Quanto: R$ 40
Classificação: 14 anos

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1 Response to “formas breves na FOLHA DE SÃO PAULO”


  1. 1 Ana 22/11/2009 às 17:30

    A peça é muito boa…E cheia de mistérios…pensamentos obscuros fora do alcance.Nos leva além da imaginação e ao mesmo tempo nos conduz ao real mundo das aflições e problemas gerados pela mente. Nos fazendo metidar em um mundo que não conhecemos.Ou melhor dizendo conhecido por poucos.


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